O BIM (Building Information Modelling) é visto como uma tecnologia mas também como uma nova metodologia de trabalho. Por um lado, uma tecnologia 3D que virtualiza o edifício ou a infraestrutura e incorpora toda a informação existente e gerada ao longo do seu ciclo de vida e, por outro, uma metodologia de trabalho mais colaborativa, que implementa processos mais ágeis e permite rentabilizar a informação gerada como até hoje nunca foi conseguido na indústria da construção.

 

O modelo virtual, que representa o empreendimento de construção nas suas diversas fases, é paramétrico e constitui uma base de dados bastante potente que serve de base aos mais diversos tipos de operações avançadas. Com base nestes modelos, diversas simulações podem ser conduzidas e verificações complexas podem ser feitas de forma ágil, de acordo com regras que podem ser programadas e automatizadas. Nos vídeos seguintes é possível observar algumas potencialidades desta nova tecnologia. 

 

Desafios BIM

 

Contudo, nem tudo são boas notícias. Os desafios deste novo paradigma são diversos: as mudanças culturais, a alteração de processos, as adaptações organizacionais, o investimento em tecnologia, a partilha de risco e de informação, a maior exigência de normalização, a interoperabilidade, entre outros desafios, colocam a fasquia elevada para quem está decidido a adquirir esta vantagem competitiva.

 

Ao ampliar-se o caráter colaborativo dos processos de trabalho, os diversos agentes da indústria têm, inevitavelmente, que estreitar relações, partilhar informação de forma mais proactiva e estar preparados para adaptar os seus processos internos aos processos das outras entidades com quem interagem. Declaradamente exige-se um conhecimento mais profundo de todo o fluxo de informação, interno e externo, assim como o conhecimento claro das fragilidades existentes em termos de comunicação. As soluções informáticas a implementar têm também que garantir interoperabilidade, e este tem sido um dos principais desafios dos últimos anos, mas que está a ser resolvido de forma gradual pela indústria de software.

 

A implementação BIM em organizações e projetos surge no âmbito deste novo paradigma como um processo complexo, que deve ser abordado de forma estruturada e sistematizada. As organizações devem ser capazes de mapear processos, identificar trocas de informação, adaptar as suas estruturas organizativas e implementar metodologias e planos de execução BIM integrados. A este respeito é de realçar que alguns países possuem já linhas de orientação bastante bem definidas para a implementação de planos de execução BIM em projetos, como é o caso do BIM execution planning da Penn State University.

 

Transversalmente a todos os desafios existentes surge a necessidade da normalização BIM. Este é um ponto crítico, cuja complexidade exige especial cuidado, mas que contribui de forma decisiva para alavancar a vantagem competitiva permitida pela utilização integrada do BIM. A elaboração de normas nacionais e internacionais assumem especial importância, devendo uniformizar processos, prever riscos, alinhar interações ao longo do ciclo do empreendimento, apoiar as partes na execução dos trabalhos e garantir a legalidade e distribuição de responsabilidades ao longo do ciclo de vida do empreendimento de construção.

 

Normas e guidelines internacionais

 

No que diz respeito a normas internacionais, o estado do desenvolvimento é já de alguma maturidade. De facto, diversas normas já estão disponíveis ou em fase avançada de desenvolvimento.

Naturalmente são de realçar as normas ISO: ISO 29481-1/ ISO 29481-2 (Building information modelling - Information delivery manual); ISO 16739 (Industry Foundation Classes- IFC) e ISO 12006-3 (Building construction - Organization of information about construction works). Contudo, diversos países possuem já as suas próprias normas ou guidelines, que refletem também as estratégias de implementação BIM dos diversos países. Dentro destas são de realçar:

·       Singapore BIM guide, desenvolvido por Singapura, que foi um dos primeiros países a avançar com um programa de implementação BIM a nível nacional (os primeiros desenvolvimentos começaram em 1999, através do programa Corenet) e estabeleceu como meta a adoção BIM obrigatória em 2015;

·       National Building Information Modelling Standards, desenvolvidos pelo National Institute of Building Science, que representa o culminar de inúmeras iniciativas BIM americanas que iniciaram em 2003 com o National 3D-4D-BIM program da General Service Administration (GSA);

·       National Common BIM requirements (COBIM), guideline publicada em 2007 pela organização pública Senate Properties finlandesa. Desde 2001 que esta entidade desenvolve projetos piloto que culminaram numa crescente generalização do BIM a nível nacional;

·        PAS1192-2 Specification for information management using BIM e também o AEC (UK) BIM protocol, impulsionados pelo Cabinet Office britânico, responsável pelas metas estratégicas entretanto estabelecidas de utilização BIM obrigatória a partir de 2016;

·       Statsbygg BIM manual, desenvolvido pela Statsbygg, uma agência governamental norueguesa que desde 2011 usa o BIM para todos os seus projetos;

·       São ainda de referir alguns outros países que já possuem normas e guidelines BIM como a Dinamarca, a Holanda, Coreia do Sul, Hong Kong, Austrália, etc.

 

Normalização em Portugal

 

Em Portugal, o processo de normalização está a dar os primeiros passos. O Instituto Português da Qualidade (IPQ) está representado no grupo de trabalho da Comissão de Normalização Europeia para o desenvolvimento da norma BIM europeia, garantindo-se assim uma convergência entre os esforços nacionais e europeus, e algumas iniciativas estão também a ser dinamizadas para gerar o conhecimento de base necessário ao desenvolvimento de um documento de âmbito nacional de valor indiscutível.

 

A normalização BIM em Portugal deve ser encarada como uma oportunidade de reorganização da indústria e otimização dos processos e fluxos de informação que lhe estão inerentes. A sua correta implementação permitirá, de forma inequívoca, potenciar sinergias entre os diversos agentes e abrir espaços de inovação importantes para o aumento da competitividade no mercado global.

 

Normalização na Europa: